domingo, 26 de outubro de 2008

Nada sobre nada (ou Ponderações de uma menina perturbada)

Resolvi ressucitar esse blog...
Sei lá, tanta coisa pra escrever e tão pouco tempo disponível pra refletir e produzir algo que preste...

Pensei primeiro em falar sobre as eleições, sobre o gosto amargo que me subiu a boca hoje diante da urna... Querem me fazer acreditar que eu tinha duas opções...Minha única opção era a falta de opção...Ninguém ali me representa ou carrega minimamente as características que eu acredito que um bom administrador deve ter...Vontade de me infiltrar no Rio pra poder votar no Gabeira e tentar garantir alguém descente pelo menos por lá...Não consegui.

Ai então pensei em escrever sobre as saudades que ando sentindo ultimamente...De viajar, de ler, de ver o mar, de escrever, de sentir o Sol no corpo inteiro, de alguma coisa que simplesmente anda faltando. Alguma coisa que se faz presente em mim justamente por sua ausência. É possível sentir saudades de algo que nunca se teve?

Mas ai mudei de idéia e resolvi escrever sobre samba e como ele tem feito parte do meu dia a dia...Só a melancolia inexplicavelmente alegre de Paulinho, Cartola, Mart'nália e tantos outros tem me sossegado o coração nesses últimos tempos...Existem pessoas que conseguem pôr no papel tudo aquilo que é universal para o ser humano e que, no entanto, quase ninguém consegue explicar ou traduzir...Ai que saudades de Clarice!

Por fim, decidi que escreveria sobre a aula de conteúdo literário que dei sexta, de como foi prazeroso me reencontrar com minha paixão Manuel Bandeira...Tinha esquecido como é gostoso ler poesia...E de como é gostoso passar isso adiante...

Mas aí, decidi que estava cansada, só pensando impropérios e que não ia escrever sobre nada.

Adiantou?

5 pitacos:

Fontes disse...

ufa! Pensei que isso daqui estava morto.

Ainda bem.

Alice Agnelli disse...

Claro que não adiantou!
No fim, vc escreveu sobre tudo.E eu ainda tive o gostinho de me ver nessas suas palavras.

Se vc sentiu um gosto amargo diante da urna, nas eleições, imagine eu que presenciei 318 votos, na minha seção, e colaborei pra tal "democracia" do país. A cada barulhinho de voto computado, meu estômago revirava. Dava náuseas.
Idem sobre o gabeira.

Falando em gabeira que lembra Rio, eu sei o que vc está sentindo: saudade de praia.

Colocar o pé na areia, ouvir o barulho das ondas, tudo enquanto lê um bom livro ou um livro qualquer...

Depois, voltar, tomar uma ducha e fazer um churrasquinho com samba.

Ah, Teca!
Eu quero é praia. E quero também alguma coisa que eu nunca tive mas também morro de saudade.

Quanto à aula, depois de horas digitando as poesias, aposto que fez um bem danado, né?

Pior fui eu que tive que passar o dia em filas e mais filas e nem voz passiva pude ensinar!

(Não que seja melhor do que Bandeira, mas é melhor do que fila e burocracia!)

É, garota.
Moramos no mesmo barco!
(Ai, não posso falar em barco que eu lembro de praia!)

Ana Mari Carvalho disse...

Hey Teca!
Que beleza lhe ler querida... Me vi em seu texto quando fala em saudades do que nunca se teve. É possível sim querida, é como se lembrar de coisas que nunca se fez, não sei ao certo como é mas creio que seja algo parecido com isso. O desejo e vontade de uma boa praia se faz lugar comum do lado de cá também, vontade de ter como única obrigação acordar ir ver o mar e voltar só quando tiver vontade, daí só ouvir músicas gostosas e ficar lendo Manu, Clarisse entre outros vários queridos da nossa rica literatura.
Amada, adiantou sim, ou não.

Bruna Escaleira disse...

de que adianta uma palavra jogada
um sorriso errante
uma pessoa achada
um céu distante?

sempre adianta mais que nada
;p

liviones disse...

ola querida!
até mesmo na obscuidade da internet encontramos quem amamos.